sexta-feira, 9 de setembro de 2016

A DESCOBERTA DO PODCAST



Pode o quê? Essa pergunta foi feita pelo meu amigo Riba Mearim ao responder uma outra que eu lhe fizera para saber se ele já conhecia podcast. Ainda pensei em brincar um pouco e lhe falar: “cara, você ainda não sabe o que é podcast?” Mas optei por lhe dizer, com as minhas palavras, que é uma espécie de programa de rádio disponibilizado por um site da internet, e que podemos ouvir ou baixar quando nos for conveniente.

Poderia ter citado logo a definição do termo tal como aparece na Wikipedia (https://pt.wikipedia.org/wiki/Podcast): é o nome dado ao arquivo de áudio digital, frequentemente em formato MP3 ou AAC (este último pode conter imagens estáticas e links), publicado através de podcasting na internet e atualizado via RSS. Também pode se referir a série de episódios de algum programa quanto à forma em que este é distribuído.

Na mesma Wikipedia pode-se ver o que significa o termo podcast: Pod (= personal on demand) + cast (final de broadcast = transmissão de rádio ou televisão).

Mas como foi essa minha descoberta? Tudo começou no final de 2012 quando procurava na internet audiolivros de história. Encontrei o programa 251 do Podcast Café Brasi, no qual o podcaster (assim são chamados os apresentadores) Luciano Pires entrevista o jornalista Leandro Narloch, que havia escrito o livro Guia politicamente incorreto da história do Brasil (depois disso escreveu Guia politicamente incorreto da história da América Latina e Guia politicamente incorreto da história do Mundo). Essa feliz descoberta me pôs em contato, de uma vez só, com as ideias do politicamente correto e incorreto, com outras versões da história do Brasil, com Leandro Narloch e com Luciano Pires.

Fonte: google.com.br

Endereço: www.portalcafebrasil.com.br



Considero o podcast uma daquelas coisas que a gente fala pra si mesmo: como não pensei nisso antes? É claro que não dá para afirmar que não viveria sem ele, mas reputo como algo muito importante e me esforço bastante para ouvir os novos programas. Para usar uma expressão corrente, mas pouco esclarecedora, na minha opinião, eu diria: podcast é tudo de bom!

E vou além. Podcast é ótimo para situações tais como: filas de bancos; antessalas de médicos e dentistas; no carro, especialmente nos engarrafamentos; chá de cadeira em repartições públicas; durante a execução de alguns trabalhos; e no que gosto mais: nas práticas desportivas como corrida e ciclismo. Além de aproveitar o tempo destinado a essas atividades, a gente ainda pode direcionar a atenção para os mais variados assuntos. Há podcasts sobre música, política, ensino de idiomas, literatura, cinema... São infinitas as possibilidades. Pode-se ouvir online ou, o que prefiro: baixar e ouvir quando e quantas vezes quiser.

O meu jeito favorito de ouvir os arquivos de áudio que eu costumo armazenar, é configurar o tocador de áudio (player) do celular para execução aleatória (ou randômica). Assim, eu ouço segundo a “escolha” do aparelho os áudios disponíveis como músicas, audiolivros, aulas e podcasts. Às vezes, uma certa música ou determinado programa são tocados mais do que os outros. É como se o acaso quisesse que eu prestasse mais atenção nesse ou naquele fato, ou em determinada circunstância.

Para não apontar só as vantagens, devo dizer que essa prática pode acentuar o isolamento social de pessoas pouco dadas a conversas. É o meu caso. É comum me verem quieto num canto, com fone de ouvido, nos mais variados momentos de espera. Daí, não é raro me flagrarem concentrado na audição desses arquivos, que proporcionam a exibição de sorrisos contidos ou descontrolados, e de lágrimas isoladas ou abundantes, segundo forem os temas tratados. De qualquer maneira, para usar outra expressão corrente, fica a dica.

O Google possibilita o acesso a uma infinidade de podcasts. Entretanto, Além do podcast Café Brasil, que dispensa comentários, farei outra sugestão, para quem gosta de história: é o podcast Escriba Café, de Christian Gurtner. Alias, ele aborda outros temas. Confira!
Endereço: https://escribacafe.com


quinta-feira, 21 de julho de 2016

AVE DE ARRIBAÇÃO

Fonte:Google Earth

As fotos acima mostram o prédio do C.E. Castelo Branco, localizado em frente a Loja Maçônica, na Rua Alagoas, bairro Juçara, em Imperatriz-MA. No ano de 1975 era a sede do Colégio Dorgival Pinheiro de Souza. Naquele ano eu fazia a 6ª série do ginásio, cuja sala ficava no lado sul do prédio. No lado norte, ficavam as salas da 7ª e 8ª séries. Quase não ia para aquele lado, primeiro porque era tímido e segundo porque lá os estudantes maiores, chamados rapazes, não eram lá muito amistosos com os da minha idade. Aqueles caras já usavam calças boca de sino e eram cabeludos, coisas que os alunos da 5ª e 6ª séries ainda ousavam usar. O que era uma pena pois as meninas gostavam de estar em volta de quem já enfrentava os pais e a sociedade com usos e comportamentos ousados. No meio deles havia um carinha que empunhava um violão. Tinha os olhos claros, cabelos alourados, longos e encaracolados, tocava e cantava os sucessos que as meninas, como mariposas em volta luz, adoravam. Era o Nenem, que depois virou o Nenem Bragança.
Naquela época, os órgãos públicos exigiam atestado para quase tudo. Um sujeito precisava atestar a boa conduta, a pobreza, e a própria vida. Seguindo o clima de atesta isso, atesta aquilo, imaginei este atestado: “atesto para os devidos fins que o senhor Raimundo Nunes da Luz Pereira jamais deixou o seu ‘coração perder a luz’. Luz contida até mesmo no seu nome. Ademais, diante das vicissitudes da vida, nunca esmoreceu, chegando a pedir a Deus que o deixasse ‘ficar mais uns dias’ para que a paixão de cantar pudesse continuar a brotar do peito como ‘água cristalina’ em vigorosa e melodiosa voz. Foi ‘Prata da Casa’, mas ao contrário do que escreveu, foi santo com ‘milagre e altar’. Os altares foram os palcos onde se apresentou, e fez o milagre de trazer alegria e encanto aos que o ouviam nas suas apresentações com o nome artístico Nenem Bragança”.
Nenem Bragança ficou conhecido como papa festivais. Mas é provável que os seus admiradores associem a sua imagem, voz e interpretação à canção Ave de arribação, composta por Javier Di Mayabá. Se Nenem fosse uma ave, seria canora. Isso mesmo: Nenem Bragança, uma ave canora de arribação. É sabido que as aves, para fugirem do frio do inverno, migram para lugares mais quentes. Não é o caso da Região Tocantina, de clima quase constante, onde ele vivia. Se migrava, arribava à procura do aplauso e da admiração das plateias da terra que escolhera para viver.
Fonte: google.com.br

A última vez que vi uma apresentação de Nenem foi 2012 numa pizzaria em Imperatriz. Naquela ocasião eu vislumbrei o mesmo garoto com quem estudei no Colégio Dorgival Pinheiro de Sousa entre os anos de 1975 a 1977, no prédio da Rua Alagoas. Como não fui íntimo do Nenem, não sei se ele era ou não um aluno estudioso. Só sei dizer que naquela época, liderava, nas atividades de recreação, um grupo garotos entre os quais: Célio, Fiim e Batista. Mas eram as meninas que arribavam na direção da luz que já brilhava no seu coração, espalhando-se em forma de música pela voz grave e marcante. Foram elas, as meninas, que o ensinaram a arribar continuamente, como a cumprir o que diz a canção de Milton Nascimento: “todo artista tem de ir aonde o povo está.”

Cito, para registro, alguns nomes que ainda me lembro: Diretor Salustiano, Professora Marilena, Professores Cabo Edilson, Soldado Silva. Alunos: Dórmia, Tânia, Neide, Nilva Fernandes, Dircilene, minha irmã Diana, João Filho, Nonato, Isaías, Deusimar Lopes, irmãos Neres.
Fonte: www.youtube.com/watch?v=wV-scZo-3ug

quinta-feira, 28 de abril de 2016

ORAÇÃO DA VIOLÊNCIA

Fonte: www.youtube.com/watch?v=WK0dzsV9YWU


                A foto acima foi tirada de um vídeo veiculado no Youtube com o título de Oração da Propina. Três homens fazem uma oração para obterem sucesso nas atividades de corrupção praticadas por integrantes do governo do Distrito Federal no ano de 2009.
            Esse fato levou Riba Mearim a imaginar qual seria o teor de uma reza ou oração enunciada por pessoas adeptas da violência. Abaixo eu tento registrar a ideia do meu amigo. É o melhor que a minha memória me permitiu externar:
            “Senhor, considerando que um dia bom é aquele em que haja muita violência, concede-me a graça para eu ter hoje a oportunidade de praticá-la intensa e abundantemente. Ajude-me para que eu também possa contribuir com a santa violência de cada dia. Que eu seja um agente efetivo da disseminação do medo, da incerteza, da instabilidade, da desarmonia, enfim, que eu me aposse de todos os atributos que possam causar a infelicidade às pessoas.
            Peço-te que me apresente uma boa vítima. A boa vítima, Senhor, como Tu bem sabes, é aquela que eu possa justificar perante a sociedade o descarrego de toda agressividade que possuo. Alguém que distraidamente pise o meu pé, por exemplo; ou que me dê uma fechada no trânsito; ou que cante a minha mulher na rua; que ria de mim pela goleada que o meu time levou. Mas se esse tipo perfeito de vítima não aparecer, Senhor, ponha na minha frente alguém que aprove o Impeachment da Presidente Dilma; em seguida, Senhor, para agredir os dois lados, quero também hostilizar uma pessoa que seja contra e diga que o Impeachment é golpe. Seguindo essa produtiva, perversa e deliciosa lógica, Senhor, quero machucar ora um gordo, ora um magro; um católico e um evangélico; um branco e um negro; um hétero e um homossexual; um rico e um pobre, um vascaíno e um flamenguista...”
            Riba Mearim lembra que essa seria a oração de um agressor do tipo que se diz religioso. Mas há também aquele que só acredita na potência e eficácia dos seus golpes, atributos conseguidos à custa de muita malhação e a rotina da prática de agressões diuturnas ao longo de anos. De qualquer forma, tem-se a impressão de que esse tipo de gente, simplesmente declara para si mesmo, pela manhã ao acordar: hoje eu vou desgraçar a vida de pelo menos três otários.

domingo, 31 de janeiro de 2016

O EFEITO CASOMA


          Frequentemente ouvimos as pessoas falarem das causas e consequências dos mais variados efeitos a que somos submetidos. Temos o efeito estufa, borboleta, dominó, dopller, etc., mas é muito pouco provável que você tenha ouvido falar desse efeito de nome esquisito chamado Casoma. Não é de admirar, pois acabei de batizá-lo. Sem querer ser engraçadinho, mas já sendo, posso dizer que o Efeito Casoma é o melhor fenômeno a que já fui submetido em toda a minha vida. Trata-se, portanto, de algo maravilhoso que muita gente, por vários motivos, não alcançará a graça de vivenciar algo semelhante. Sinto-me então um privilegiado.
Figura 1

          Montei a figura acima coletando desenhos prontos da internet com a intenção de dar ao leitor a primeira pista. Trata-se de um famoso ditado popular ligado ao tema. Caso ainda não tenha desconfiado do que se trata, continue lendo e siga o meu raciocínio.  
          Sob o Efeito Casoma eu sou capaz de me comportar da forma mais estranha, inusitada e surpreendente. Para se ter uma ideia, suponhamos, por exemplo,  que um linda mulher, dessas do cinema ou da TV, me convide para uma noite romântica e prazerosa. É claro que tal ideia só é possível por uma generosa licença poética, uma forçação de barra, na verdade. Quando digo uma linda mulher, você pode pensar em qualquer uma de sua preferência (devido a minha idade, posso sugerir algumas que já vi desfilar na linha da fama: Vera Fischer, Bruna Lombardi, Isadora Ribeiro, Maria Fernanda Cândido, Ana Paula Arósio, Gisele Bundchen, Juliana Paes, entre outras, além das tops do momento: Bruna Marchezini e Marina Rui Barbosa). Pois bem, um convite dos sonhos como esse eu recusaria sem pestanejar, caso tivesse assumido qualquer compromisso decorrente do Efeito Casoma. Percebeu o poder do citado efeito?. Abaixo mais uma pista:


Figura 2


          O Efeito Casoma me possibilita ter momentos de extrema felicidade, independentemente de eu estar em contato com os agentes propiciadores dos sentimentos e sensações. A desvantagem de eu estar afastado deles, mesmo por um breve momento,  é que não só ficarei sorrindo sozinho ao lembrar dos belos momentos, mas principalmente por sentir saudade dos tais entes. É possível alguém me flagrar rindo como um abobalhado sem que consiga entender o motivo da suposta loucura ilustrada por sorrisos frouxos e incontroláveis. Você já sabe do que se trata? Se não, mostro a pista final do tal efeito que eu gostaria de não mais deixar de sentir a sua benéfica ação.

Observações:

Figura 1: tentativa de ilustrar o adágio do avô amansado: "O avô é um burro velho que o filho amansa para os netos montarem."
Figura 2: as fotos das primeiras sandálias que os meus netos usaram.
Figura 3: as fotos dos meus respectivos netos, na ordem: CAuan, de nove anos; SOfia, de dois anos e meio; e MAria Luisa, de um ano e meio.  Daí o acrônimo CASOMA.